No domingo de Carnaval, a cena é a mesma há mais de 100 anos: as ruas de Bezerros tomadas pelas cores e máscaras do tradicional Desfile dos Papangus, uma das manifestações mais emblemáticas dos festejos de Momo em Pernambuco. O evento contou com investimento e apoio do Governo de Pernambuco, por meio da Secretaria de Cultura de Pernambuco (Secult-PE), da Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe) e da Empresa de Turismo de Pernambuco (Empetur), como parte da estratégia de interiorizar o turismo e democratizar o acesso à cultura.
Vestidos com máscaras e fantasias que fazem referências ao imaginário popular e o amor pelo Estado, grupos de amigos, famílias e foliões de diferentes gerações transformam a cidade em um grande palco a céu aberto ao som de muito frevo e maracatu. A cada passo do Carnaval do Papangu, que inicia na Praça São Sebastião, é possível acompanhar personagens que mesclam o lúdico e mexem com a criatividade popular.
Com o tema História, Movimento e Encanto, a festa reúne moradores e visitantes que se encontram para celebrar a cultura do Estado. “Domingo é dia dos Papangus, é dia das pessoas tomarem conta das ruas e a gente recebe aqui gente que veio de outros municípios, outros estados, outros países para conhecer a resistência e a criatividade do povo pernambucano”, pontuou a secretária de Cultura do Estado, Cacau de Paula.
Também presente no desfile, o presidente da Empresa de Turismo de Pernambuco (Empetur), Eduardo Loyo, destacou a importância da descentralização da festa para o fortalecimento do turismo no Estado. “É essa diversidade, do Litoral ao Sertão, com culturas e tradições diferentes, que faz Pernambuco ter um dos maiores e mais autênticos carnavais do mundo”, afirmou.
Segundo ele, a estratégia do Governo do Estado de ampliar os polos carnavalescos contribui diretamente para o desenvolvimento regional. “Afinal, turismo é gerar oportunidade, emprego, renda e dignidade para o povo pernambucano.”
Depois de mais de uma década, o servidor público Fábio de Lima voltou ao Carnaval de Bezerros para apresentar a tradição dos papangus à filha. “Há cerca de 15 anos eu saí de papangu aqui uma vez. Já tinha vindo outras vezes, mas nunca tinha trazido minha filha, e eu queria que ela conhecesse essa folia, que é muito bonita. O pessoal leva muito a sério essa coisa de se fantasiar.”
A estreia da filha na festa já projeta os planos para o próximo Carnaval. “No ano que vem, a ideia é vir todo mundo fantasiado de papangu, a família inteira, e também conhecer outras manifestações tradicionais do interior de Pernambuco. Tenho muita vontade de ir para Nazaré da Mata e também para Pesqueira”, afirmou.
Pela primeira vez no desfile, um grupo de amigos decidiu vestir a máscara do papangu e sair pela cidade vivendo a experiência de ser um personagem vivo dessa tradição carnavalesca. Entre os integrantes, há moradores de Bezerros, Caruaru e também pessoas que nasceram no Recife e hoje vivem no interior do Estado.
A caracterização foi pensada como um manifesto visual da identidade pernambucana. As máscaras, todas diferentes entre si, apresentavam a bandeira de Pernambuco como elemento central, enquanto as roupas dialogavam com referências nordestinas e sertanejas. “A gente decidiu sair caracterizado com máscaras da bandeira de Pernambuco, cada uma com um desenho diferente, e com a roupa bem nordestina reforçando a paixão que a gente tem por Pernambuco”, explica a arquiteta Thainá Ferreira.
Foto: Ray Evllyn/Divulgação









